quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Um simples cheiro
Um simples odor
Tudo o que da vida se faz
Deve ser feito
Com aquele sentimento.

O qual não se pode explicar,
É ele que nos faz voar,
Cair e tornar a levantar.

Faz sorrir, faz chorar
Querer lutar, querer viver
E não sentir necessidade de mais.

Mas a vida não é eterna
Tudo tem o seu principio,
O seu meio e o seu fim.

Mas é preciso lutar contra a corrente
Não deixar que tudo acabe,
Mas que tudo se transforma.
Em atitudes melhores,
Em comportamentos diferentes.

Com os pés assentes na terra.
Com o coração divagando pelo ar,
Pelo mar, pelo tacto e pelo olfacto.

Um inúmero absorver de sensações,
Afastando mágoas e frustrações.
Deixando de parte,
Os problemas do mundo
As complicações do dia.
A memória é eterna
Por isso vive a vida,
Para que mesmo depois da morte
Sintas presente nela,
Tudo que é teu, tudo que foi teu.

Diogo Neves

sábado, 19 de janeiro de 2008

Não queiras ser o sol
Sê apenas uma parte dela
Não queiras ser tão luminoso
Mas, não permaneças no escuro.
Brilha como estrela
Não tentes ser constelação
Não tentes ser a lua,
Pois a luz não e sua.
Sente a brisa do mar
Respira a sua pureza.
Vê as coisas boas da vida,
Procura os campos verdejantes,
As flores, o azul do céu.
Senta-te e olha em teu redor,
Para, pensa e reflecte,
Naquilo que és foste e serás
Deixa o espírito transportar-te
Entre as montanhas mais elevadas,
Entre as aguas mais geladas
A infinidade do universo é enorme,
E em relação ao que existe.
Cada um de nós, por si próprio
Não consegue ser um marco no universo
Pois essas marcas não se fazem,
Não deixes as más se instalarem.
Com que mesmo parada,
Por ver a vida passar, mas para fazer
Com que mesmo parada,
Sinta-se que foi útil o tempo de existência
A vida por vezes parece parada
Mas o relógio não para
Cada segundo que passa o tempo diminui
A possibilidade de viver de forma,
Tranquila escasseia, esgota-se.
O amor a amizade a compaixão
Faz com que o relógio diminua de velocidade
Pelo menos aparentemente, pois nesses momentos
Vivemos uma felicidade plena,
Um estado de harmonia total.
O sentimento que todo o ser humano anseia
Mas que nem todos podem alcançar.
Pois aqueles que não lutam,
Aqueles que não sonham,
Aqueles que não acreditam.
Não puderam ser o que acham não existir
Quando duas mãos se juntam,
E o horizonte avistam e as suas almas,
Se complementam, todos os males da vida
Parecem ser meros pormenores insignificantes
Pois ambos os barcos remam,
Em direcções iguais, apoiando-se mutuamente
O rio acabam por descer,
Chegados ao mar, onde nem as maiores ondas
Os podem derrubar
Pois por muita força que a natureza exerça
Jamais conseguira separar corações unidos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Tudo isto são palavras soltas
Escritas sem sentido algum
Propagando-se pelo ar
Em forma de um som
Quando chegadas ao ouvido
Podem ser lidas de inúmeras formas
Uma reviravolta de axiomas
Refractadas, reflectidas
Ou meramente sentidas
Um turbilhão de ideias
Palavras que não entendo
Uma conclusão alguma
Por mais infinda que seja
Impossível de concluir
Quando existe algo na mente
Que teima em obstruir
Por isso para quem as le,
Espero que as perceba
Mais que não seja
Pelo simples facto
De na língua de Camões escrever
Mas cuidado com os vários sentidos,
E com as palavras que rimam
Pois significados não contem
Apenas da mesma forma terminam
E depois desta complicação
Acabo sem nada dizer
Pois tudo que nasce, acaba por morrer
Tudo que cresce, acaba por sofrer
Tudo que sofre, acaba por crescer
Tudo que nega, acaba por nao viver
Por isso se já nasceste,
Sofre, cresce e não negues.
E para quem percebeu parabéns
Para os que não perceberam
A vida vai-se encarregar
De os fazer perceber
Por isso não esperam que eu o vá fazer

Diogo Neves