quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Estava contando as mágoas ao mar,
Quando as ondas se baixaram perante mim.
Tinha ocorrido uma acalmia
(e de boca aberto não percebia).

Foi uma mudança repentina
De metros, para meros centímetros.
Onde se encontrava a serenidade?
Já que ali já me tinha refugiado
E as ondas batiam sempre da mesma forma.
Onde pareciam repetir-se sucessivamente.

Mas o que senti naquele dia
Nunca o tinha sentido.
Pareciam responder as mágoas,
Que lhes contei em tom de segredo.
Tinha feito algo que não devia
E as ondas alteraram-se e sossegaram.
Era o que eu tinha a fazer,
Sossegar a minha vida,
Deixar-me, de atribulações
Para que não continuasse,
Num sentimento inconstante.

Precisava de viver a vida
Não de ver a vida a viver por mim.


Diogo Neves

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